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Artigo

Disfunção temporomandibular: quando e como pode a Fisioterapia ajudar?

Daniel Ferreira
Fisioterapeuta
09 de outubro de 20267 min
Disfunção temporomandibular: quando e como pode a Fisioterapia ajudar?

Dor na mandíbula, estalidos ou dificuldade em abrir a boca? Estes sintomas podem estar associados a disfunção temporomandibular (DTM). Descubra como a Fisioterapia pode ajudar a reduzir a dor, melhorar a função mandibular e recuperar o conforto nas atividades do dia a dia.

A Fisioterapia pode ajudar a reduzir a dor e melhorar a função mandibular em pessoas com disfunções temporomandibulares (DTM). Através de uma avaliação individualizada, podem ser utilizadas estratégias como exercício terapêutico, terapia manual e educação, de acordo com os sintomas e necessidades de cada pessoa.

O que é a disfunção temporomandibular na realidade?

As Disfunções Temporomandibulares (DTM) englobam um grupo algo heterogéneo de condições musculoesqueléticas e neuromusculares que geralmente afetam as articulações temporomandibulares (ATM), os músculos mastigatórios e estruturas craniofaciais associadas.

Podem-se classificar maioritariamente em três grandes categorias: miogénica (de origem muscular), artrogénica (de origem articular) ou mista.

Que sintomas podem estar associados a uma DTM?

As manifestações clínicas da DTM podem ser variadas. Geralmente, caracterizam-se por dor orofacial, limitação ou desvio na abertura da boca, ruídos articulares (como estalidos ou sons de crepitação), dores de cabeça (cefaleia tensional e enxaqueca) e até otalgia (dores de ouvidos).

Estes sintomas podem ainda impactar negativamente funções diárias essenciais como mastigação, fala, sono e mesmo o bem-estar emocional.

Como pode a Fisioterapia ajudar?

Frequentemente, utentes com DTM pensam que ou ouviram dizer que "Se a mandíbula estala, precisa de cirurgia ou tratamento invasivo", "A causa é ter os dentes desalinhados ou uma postura errada" ou “A dor no maxilar é apenas stress 'psicológico'”.

Na realidade não é bem assim, a evidência científica disponível afirma que ruídos articulares isolados (estalidos) sem dor nem limitação funcional grave são comuns e frequentemente benignos. As diretrizes internacionais recomendam fortemente abordagens conservadoras e não invasivas como primeira linha, como é o caso da Fisioterapia.

Mais ainda, alterações posturais e fatores oclusais isolados não são necessariamente a causa direta da DTM. Assim como o stress e a ansiedade não causam dor de forma abstrata, mas podem induzir respostas motoras involuntárias (como o bruxismo de vigília).

Para compreender melhor a relação entre fatores emocionais, hábitos de apertamento dentário e sintomas mandibulares, explore também o nosso artigo Dor na face, mandíbula e stress: o que têm em comum?.

A DTM é uma condição biopsicossocial multifatorial, onde o controlo motor e a sensibilidade do sistema nervoso podem-se sobrepor à estrutura. Em algumas pessoas, a dor orofacial associada à DTM pode tornar-se persistente e coexistir com outras condições dolorosas. Saiba mais no nosso artigo sobre dor crónica e disfunção temporomandibular.

Assim sendo, o que pode a Fisioterapia fazer?

O primeiro passo é sempre avaliar clinicamente

Em primeira instância, o Fisioterapeuta especializado em DTM avalia o caso, recolhendo o historial da dor, comportamentos parafuncionais (como roer as unhas ou outros objetos como tampas de caneta, por exemplo) e impacto psicossocial.

Adicionalmente, deve ser recolhida informação clínica em exame físico sobre movimentos mandibulares (abertura e oclusão, por exemplo) e musculatura mastigatória.

Existe ainda necessidade de rastreio da coluna cervical (particularmente a musculatura flexora profunda do pescoço), dado que existe uma elevada prevalência de disfunções cervicais em pessoas com DTM.

Além disso, pessoas com enxaqueca ou cefaleias tensionais têm um risco maior de apresentar DTM.

Na Bwizer Health, a equipa de Fisioterapia avalia estes parâmetros utilizando instrumentos clínicos validados internacionalmente, recolhendo ampla informação sobre a limitação funcional e incapacidade sobre a pessoa com DTM de forma rigorosa e objetiva. Esta recolha sistemática de dados prova-se fortuita para o utente pois permite acompanhar a evolução e facilita a comunicação entre o Fisioterapeuta e o Médico-Dentista do utente, permitindo uma atuação verdadeiramente multidisciplinar.

Segue-se a intervenção terapêutica

Usar uma goteira/placa de relaxamento não é o único tratamento eficaz. As diretrizes clínicas emitem recomendações condicionais contra o uso de goteiras oclusais isoladamente. Sugere-se uma combinação com tratamentos ativos (exercício, terapia manual, educação).

Assim, a intervenção do Fisioterapeuta nesta condição deve seguir recomendações das diretrizes clínicas atualmente em vigor.

A abordagem deve então consistir em intervenções ativas e conservadoras como mobilização assistida por terapeuta, terapia manual combinada exercício clínico supervisionado e estratégias de educação e autogestão da condição (consciencialização e modificação de hábitos como bruxismo de vigília ou apertamento dentário durante o dia).

No caso de cefaleias associadas, a evidência afirma que programas de Fisioterapia direcionados à ATM e coluna cervical reduzem a frequência, intensidade e impacto funcional de cefaleias crónicas (enxaquecas e cefaleias tensionais). Conheça melhor o papel do exercício terapêutico no nosso artigo sobre Fisioterapia e Pilates Clínico na dor cervical.

Quando deve procurar ajuda

Deve procurar ajuda quando sofre de dor persistente ou recorrente na mandíbula, dificuldade em mastigar, limitação funcional e episódios de bloqueio mandibular.

É também fundamental que o Fisioterapeuta reconheça sintomas que mimetizam a DTM, mas decorrem de patologias graves ou não musculoesqueléticas que exigem referenciação médica urgente.

Se sente dor recorrente na mandíbula ou dificuldades em movimentos como mastigar ou abrir a boca, uma avaliação individualizada pode ajudar a compreender a origem dos sintomas e a definir a abordagem mais adequada.

Agende a sua avaliação de Fisioterapia na Bwizer Health.

Articulação com a Medicina Dentária

A DTM requer uma abordagem interdisciplinar. O Médico Dentista atua na exclusão de causas odontogénicas puras, patologia articular intrínseca grave e confeção de goteiras quando estritamente indicado.

O utente deve falar com o seu Médico Dentista, caso seja acompanhado por um, sobre a possibilidade de referenciação para Fisioterapia.

A Fisioterapia é indicada no início ou na persistência de sintomas como: dor na face (dor orofacial), mandíbula, têmpora ou pescoço ao mastigar ou falar; limitação ou bloqueio na abertura da boca; sensação de fadiga muscular facial ao acordar ou ao fim do dia; e presença de cefaleias recorrentes associadas a tensão mandibular.

Na Bwizer Health, realizamos uma avaliação individualizada das disfunções temporomandibulares, acompanhamos a evolução clínica e articulamos com o Médico Dentista sempre que necessário, promovendo uma abordagem integrada e centrada nas necessidades de cada pessoa.

Agende a sua consulta na Bwizer Health.

Mensagens mais relevantes para si

  1. A DTM é uma condição musculoesquelética muito frequente que afeta os músculos do rosto e a articulação da mandíbula, interferindo em atos simples como comer ou falar.
  2. A Fisioterapia é recomendada pelas diretrizes internacionais mais recentes como um tratamento de primeira linha, conservador e seguro.
  3. Tratar a mandíbula implica olhar para o pescoço: os nervos da face e do pescoço cruzam-se no cérebro, pelo que a dor numa zona afeta a outra.
  4. Ter uma "má postura" não é a causa da DTM; o foco deve estar na mobilidade, na força e no relaxamento muscular.
  5. Apertar os dentes durante o dia (bruxismo de vigília) devido ao stress sobrecarrega os músculos; a consciencialização e os exercícios ajudam a quebrar este ciclo.
  6. Estalidos sem dor não exigem pânico nem cirurgia; se houver dor ou limitação, a Fisioterapia e a Medicina Dentária devem trabalhar em conjunto.

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