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Preparação para o parto: como o movimento e a respiração podem ajudar

Daniel Ferreira
Revisto cientificamente por Daniel Ferreira

Fisioterapeuta

Fisioterapeuta n.º 1501 OF · Ordem dos Fisioterapeutas

Última revisão:

23 de outubro de 20266 min
Preparação para o parto: como o movimento e a respiração podem ajudar

Explorar posições, respirar e conhecer formas de apoio pode fazer parte da preparação para o parto. Saiba o que o exercício, o Pilates e os cuidados com o pavimento pélvico podem oferecer, sem promessas de controlar o resultado do parto.

Com a aproximação do parto, é natural querer saber o que pode fazer para se preparar. Vale a pena experimentar posições? Precisa de aprender uma forma especial de respirar? O Pilates Clínico pode ajudar? Conhecer opções de movimento e formas de procurar conforto pode fazer parte dessa preparação. Mas nenhum exercício permite controlar tudo o que acontece durante o parto.

Preparar-se pode ajudar a compreender as suas opções, explicar o que prefere e pedir apoio. O objetivo é que tenha mais recursos para participar nas decisões, sabendo que as necessidades e o plano podem mudar.

O que significa preparar-se para o parto através do movimento?

A expressão «preparação funcional» refere-se a conhecer e experimentar formas de se mover, mudar de posição, respirar e relaxar. Pode incluir perceber que posições são confortáveis e como pedir ajuda para as adaptar. São competências que podem ser exploradas numa sessão de educação ou de exercício, de acordo com a sua situação de saúde.

Por exemplo, pode ser útil perceber como se sente ao mudar de posição e que apoio lhe dá mais conforto. Também pode conversar sobre o que gostaria de experimentar durante o parto. Conhecer alternativas permite fazer perguntas mais concretas à equipa que acompanha a gravidez.

As necessidades variam. Algumas mulheres procuram informação e querem manter-se ativas. Outras têm dor que dificulta caminhar ou descansar e podem precisar de avaliação. Quando existem complicações da gravidez, é necessário esclarecer com a equipa de saúde que atividades são adequadas antes de definir a prática.

Fazer exercício na gravidez é o mesmo que preparar o parto?

O exercício durante a gravidez pode ajudar a manter a atividade e a capacidade para realizar tarefas. As recomendações aplicam-se a mulheres sem contraindicações para a atividade em causa, com ajustes ao longo da gravidez. O trabalho de parto tem condições próprias, que podem mudar à medida que decorre.

Conseguir fazer um exercício ou manter uma posição durante uma aula não permite prever como será o parto. As posições e os movimentos possíveis nesse momento dependem da sua vontade, da evolução clínica e dos cuidados disponíveis. O que experimentou antes pode dar-lhe referências, mas poderá precisar de outras opções.

Pode, por isso, preparar preferências sem ter de cumprir uma sequência de movimentos. O mais útil é compreender possibilidades e saber conversar sobre elas. Uma mudança de plano durante o parto não significa que a preparação tenha sido inútil.

Precisa de aprender uma técnica de respiração?

A respiração pode ser explorada como uma forma de procurar conforto e relaxamento. Durante uma sessão, pode observar como respira enquanto se move, faz uma pausa ou muda de posição. Algumas formas de respirar podem parecer-lhe mais confortáveis do que outras.

Não existe, na evidência reunida para este artigo, uma técnica que permita garantir um parto mais curto, evitar uma cesariana ou impedir lesões na região do períneo. Saber respirar de determinada maneira não dá controlo sobre todos esses acontecimentos.

Uma orientação útil deve ser compreensível e permitir ajustes. Se uma instrução lhe causa desconforto ou é difícil de seguir, diga-o ao profissional. Durante o parto, a equipa poderá também orientar a respiração conforme o que estiver a acontecer. Não conseguir manter uma técnica aprendida não significa que esteja a fazer algo de errado.

É necessário abrir ou alinhar a bacia?

É frequente encontrar exercícios apresentados como formas de «abrir a bacia» ou corrigir o seu alinhamento. Estas expressões podem dar a ideia de que o corpo precisa de uma correção para o parto acontecer. A investigação analisada não permite essa conclusão.

Durante a gravidez, a maneira de caminhar e a mobilidade podem mudar. Essas mudanças variam entre mulheres e não demonstram, por si só, que existe um problema na posição da bacia. Também não mostram que corrigir uma postura determine se o parto será vaginal ou por cesariana.

O que sente ao mover-se merece atenção. Se uma posição é desconfortável, pode ser necessário adaptá-la. Se tem dor que limita as atividades, uma avaliação pode ajudar a perceber o problema e a encontrar alternativas. Para decidir o que fazer, importa conhecer os sintomas e as dificuldades, em vez de assumir um «desalinhamento».

Como pode o Pilates Clínico fazer parte da preparação?

O Pilates Clínico pode ser uma opção de exercício durante a gravidez, quando o programa é adequado à mulher e à sua situação clínica. Pode incluir movimentos, trabalho de força, mobilidade e respiração. O conteúdo e a forma de acompanhar as sessões variam entre programas.

Alguns estudos encontraram melhorias na dor em mulheres grávidas que fizeram Pilates Clínico. Contudo, os estudos tinham diferenças importantes e, em vários casos, poucas participantes. Não permitem afirmar que o Pilates Clínico seja melhor do que outros programas de exercício comparáveis.

Também não permitem prometer que o Pilates Clínico prepara a bacia para um parto vaginal ou reduz a necessidade de cesariana. Alguns programas estudados juntaram Pilates Clínico, educação e respiração, pelo que não é possível saber quanto contribuiu cada componente.

Pode escolher Pilates Clínico porque gosta da atividade e valoriza o acompanhamento. Antes de começar, procure perceber como a aula é adaptada à gravidez e o que acontece se surgirem sintomas. A escolha deve ter em conta o que precisa e consegue fazer.

Treinar o pavimento pélvico evita lesões no parto?

O pavimento pélvico é um conjunto de músculos que participa, entre outras funções, no controlo da urina. O seu treino envolve aprender a contrair e a relaxar, com exercícios ajustados à pessoa. Uma aula de Pilates Clínico não garante que esse treino específico seja realizado.

Há evidência de que treinar estes músculos durante a gravidez pode reduzir o risco de perdas urinárias em mulheres que ainda não têm perdas. Prevenir perdas de urina é, porém, uma questão diferente de evitar lesões durante o parto. Ter mais força muscular também não significa, por si só, que esses dois resultados estejam assegurados.

Uma revisão de estudos encontrou menos lesões perineais graves em programas que incluíam treino do pavimento pélvico, isolado ou associado a exercício. Mas os resultados exigem prudência: os programas diferiam e havia sinais de que estudos com resultados favoráveis poderiam estar mais representados na revisão. Para a episiotomia, não se demonstrou uma redução clara.

Estes dados não justificam prometer proteção contra lesões nem recomendar o mesmo treino a todas as grávidas. Se tem dor ou dificuldade em relaxar, fazer mais contrações pode não ser a resposta adequada. A orientação deve partir das suas necessidades.

A massagem perineal pode ajudar?

O períneo é a região entre a abertura vaginal e o ânus. A massagem perineal durante a gravidez é uma opção que pode ser discutida com a equipa de saúde. Não é uma prática obrigatória para se preparar para o parto.

Uma revisão Cochrane, baseada numa pesquisa de estudos antiga, encontrou uma pequena redução de lesões que precisaram de sutura e de episiotomias, sobretudo em mulheres sem parto vaginal anterior. A episiotomia é um corte feito no períneo durante o parto. A revisão não demonstrou uma redução clara das lacerações mais graves, que atingem o músculo que controla a saída das fezes e, por vezes, a parede do reto.

Isto significa que pode haver benefício em alguns resultados, mas a massagem não garante que o períneo fique sem lesões. Os resultados desta prática também não devem ser confundidos com os do treino muscular: são intervenções diferentes.

Se pondera fazê-la, peça explicações sobre a adequação à sua situação e esclareça as dúvidas antes de começar. O conforto, as suas preferências e experiências anteriores importam. Pode recusar ou interromper. Perante suspeita de infeção, hemorragia, perda de líquido ou outra complicação, é necessária orientação clínica antes de considerar uma prática íntima.

Como pode o acompanhante ajudar?

O acompanhante pode começar por ouvir o que lhe dá conforto e como gostaria de receber ajuda. Pode conhecer as suas preferências sobre posições e perceber como facilitar a comunicação com a equipa. Não precisa de decorar exercícios para poder prestar apoio.

Pode ser útil conversar antes: prefere que lhe recordem alguma estratégia ou que esperem que peça ajuda? Como gostaria que comunicassem com a equipa quando estiver concentrada no trabalho de parto? As respostas são pessoais e podem mudar nesse dia.

A preparação deve ajudar o acompanhante a respeitar essas escolhas. Corrigir continuamente a sua respiração ou insistir numa posição pode não corresponder ao apoio que deseja. A sua vontade e as indicações clínicas devem orientar a participação.

Como escolher uma sessão de preparação?

Procure perceber se a sessão se destina a dar informação, explorar movimento ou tratar sintomas. Estes objetivos são diferentes. Quem tem dor que limita o dia a dia pode precisar de uma avaliação própria, mesmo que já frequente um curso de preparação para o parto.

Pergunte quem conduz a sessão, como as atividades são adaptadas e em que situações é recomendado contacto com a equipa que acompanha a gravidez. Se forem propostas técnicas íntimas, deve haver explicação, espaço para perguntas e liberdade para não participar.

Também importa saber o que o programa pretende ajudar a desenvolver. Compreender melhor as opções, encontrar posições confortáveis e saber comunicar uma dificuldade são objetivos que podem ser acompanhados. Uma promessa de evitar cesarianas ou garantir um «parto fácil» vai além do que esta evidência permite afirmar.

O que pode fazer antes da próxima consulta?

Comece pelas dúvidas que têm mais importância para si. Pode anotar uma posição que causa desconforto, uma dificuldade ao mover-se ou uma pergunta sobre respiração. Levar exemplos concretos ajuda o profissional a perceber o que precisa de esclarecer.

Se já faz exercício adequado à sua situação, observe como responde às atividades habituais, sem forçar movimentos para testar limites. Uma posição desconfortável pode ser alterada ou interrompida. Dor importante ou limitações persistentes justificam avaliação, em vez de insistência numa sequência encontrada online.

Na conversa com a equipa, pergunte se há precauções específicas, quando deve parar uma atividade e que opções de movimento e apoio estarão disponíveis no local do parto. Pode rever estas questões à medida que a gravidez evolui.

E se o parto acontecer de forma diferente do que esperava?

A preparação pode ajudar a conhecer opções e a pedir apoio, mas o parto depende de muitos fatores. Mesmo com acompanhamento e prática, pode ser necessária uma cesariana, analgesia ou outra mudança de plano.

Isso não significa que treinou pouco ou que falhou alguma técnica. A qualidade da preparação não se mede apenas pela via de parto. Compreender uma recomendação, explicar uma preferência ou conseguir pedir esclarecimentos também faz parte da sua participação nos cuidados.

Perguntas frequentes

Existe uma posição que todas as mulheres devem usar?

Não. As opções dependem das preferências, da situação clínica e do contexto em que o parto decorre. Conhecer posições diferentes pode ser útil, mas não obriga a escolher uma antecipadamente nem a mantê-la apesar de desconforto.

O Pilates Clínico substitui um curso de preparação para o parto?

O Pilates Clínico pode fazer parte do exercício na gravidez, mas não substitui informação sobre o parto e os cuidados de saúde materna. Confirme o que cada programa inclui e quais as perguntas que precisa de esclarecer com a equipa.

Deve insistir numa posição se sentir dor pélvica?

Pode ser necessário mudar de posição, interromper ou procurar avaliação. Não deve insistir apenas porque o movimento faz parte da preparação. Dor intensa nova ou acompanhada de outros sintomas exige cuidados adequados.

Quando procurar ajuda?

Se a dor dificulta caminhar, descansar ou mudar de posição, procure avaliação para perceber que cuidados ou adaptações podem ajudar. Dúvidas sobre exercício perante uma complicação da gravidez devem ser esclarecidas com a equipa de saúde antes de continuar.

Perante hemorragia, perda de líquido, dor intensa nova ou outros sinais potencialmente graves, interrompa a atividade e procure assistência médica adequada. Não aguarde por uma resposta nas redes sociais.

Quer esclarecer as suas dúvidas sobre exercício e acompanhamento durante a gravidez? Marque uma avaliação na Bwizer Health para conversar sobre as suas necessidades e os próximos passos.

Este artigo é informativo e não substitui avaliação individual. Exercícios e práticas íntimas devem respeitar a situação clínica, as suas preferências e o seu consentimento.

Referências

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