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Artigo

Incontinência Urinária: por que acontece e como a Fisioterapia devolve a sua confiança

19 de junho de 20268 min
Incontinência Urinária: por que acontece e como a Fisioterapia devolve a sua confiança

Já evitou sair de casa com medo de não chegar a tempo à casa de banho? Ou deixou de rir à vontade por receio de perder urina? Se sim, não está sozinha(o), e isto tem solução.

Na Bwizer Health, trabalhamos todos os dias com pessoas que sofrem em silêncio com perdas de urina. Por isso, criámos este guia claro e direto para a(o) ajudar.

A incontinência urinária (IU) é mais comum do que muita gente imagina e pode afetar de forma significativa o dia a dia, a confiança e até a vida social e íntima. Embora seja mais frequente em mulheres, a IU também afeta homens, especialmente após cirurgia à próstata. Ainda assim, é um tema frequentemente "empurrado para o silêncio" por vergonha, por normalização ("é da idade", "é do pós-parto") ou por falta de informação.

A boa notícia é que, em muitos casos, a fisioterapia é uma abordagem de primeira linha, com elevada eficácia, sobretudo quando a intervenção é feita com uma avaliação adequada e um plano bem orientado.

O papel fundamental do Pavimento Pélvico

O pavimento pélvico é um conjunto de músculos e estruturas que funciona como uma espécie de “rede” na base da bacia. Ele desempenha funções cruciais:

  • Suporte: Ajuda a suportar os órgãos pélvicos, incluindo bexiga, intestinos e reto, bem como os órgãos reprodutivos específicos de cada sexo (como útero e vagina na mulher, e próstata e estruturas adjacentes no homem), contribuindo para a estabilidade e o posicionamento adequado destas estruturas.
  • Continência: É essencial para manter a continência (urinária e fecal), em coordenação com os esfíncteres.
  • Função Sexual: Contribui para a função sexual (sensibilidade, lubrificação e capacidade orgásmica).
  • Estabilidade: Participa na estabilidade lombo-pélvica, como parte do core que estabiliza a coluna e a pélvis.

Quando esta zona perde força, coordenação, resistência ou fica com alterações no tónus, podem aparecer sintomas como a IU.

Tipos de Incontinência Urinária

A IU não é “uma coisa só”. Os principais tipos são:

  • Incontinência urinária de esforço: Caracterizada pela perda de urina associada a esforço, como tossir, espirrar, rir, correr, saltar ou levantar peso.
  • Incontinência urinária de urgência: A perda de urina acontece associada a uma vontade súbita e intensa de urinar, difícil de adiar.
  • Incontinência urinária mista: Ocorre quando existem características de esforço e de urgência na mesma pessoa.

Por que a IU acontece? Causas e Fatores de Risco

A IU pode ter múltiplas causas, incluindo:

  • Fatores Anatómicos e Estruturais: Alterações no suporte dos órgãos pélvicos.
  • Fatores Hormonais: Por exemplo, alterações associadas à menopausa, onde a diminuição de estrogénio pode contribuir para a redução de elasticidade e alterações dos tecidos.
  • Gravidez e Pós-parto: Durante a gestação, há aumento de carga sobre o pavimento pélvico e alterações hormonais (como a relaxina) que influenciam tecidos e estabilidade. Tudo isto pode aumentar a vulnerabilidade a disfunções.
  • Situações pós‑cirúrgicas — Por exemplo, em homens após prostatectomia e em mulheres após cirurgias ginecológicas (como histerectomia).
  • Outros fatores podem incluir causas neurológicas ou farmacológicas.

O Impacto na Qualidade de Vida

A IU pode ter um impacto significativo em várias dimensões da vida:

  • Repercussões psicológicas: Pode causar ansiedade, vergonha e perda de confiança.
  • Impacto na sexualidade: Afeta a vida íntima e a autoestima.
  • Limitações funcionais: Leva a evitar exercício físico, viagens ou atividades sociais.
  • Impacto socioeconómico: Pode gerar custos e, em alguns casos, absentismo.

Como a Fisioterapia ajuda na IU: Tratamento de Primeira Linha

A fisioterapia é um tratamento de primeira linha para a IU, com alta eficácia, sobretudo através de:

  • Treino Muscular do Pavimento Pélvico (TMPP / PFMT): Um treino específico para melhorar a força, resistência e controlo dos músculos do pavimento pélvico.
  • Biofeedback: Um recurso que ajuda a pessoa a perceber e otimizar a ativação muscular, sendo muito útil para quem tem dificuldade em sentir a contração correta.
  • Mudanças Comportamentais: Orientações personalizadas para o dia a dia, de acordo com a avaliação individual.

Em alguns casos, podem ser usados também recursos fisioterapêuticos avançados, e quando necessário recomenda-se uma abordagem multidisciplinar (por exemplo, quando coexistem dor pélvica, alterações sexuais, fatores psicossociais relevantes ou outras condições associadas).

Prevenção: O que significa na prática?

A prevenção da IU pode ser abordada em três níveis:

  • Prevenção primária: Reduzir o risco antes que o problema surja, através de educação e hábitos saudáveis.
  • Prevenção secundária: Detetar cedo e intervir rapidamente para evitar o agravamento da condição.
  • Prevenção terciária: Reduzir o impacto e evitar o agravamento quando a IU já existe, através de tratamento e acompanhamento.

Isto reforça a importância da educação, deteção precoce e de procurar ajuda especializada sem esperar “piorar muito”.

Quando procurar ajuda?

1. Quando vale a pena marcar uma avaliação de Fisioterapia Pélvica

É recomendável procurar uma avaliação especializada sempre que existam sintomas que alterem conforto, desempenho ou rotina diária, tais como:

  • Perdas de urina, urgência difícil de controlar ou aumento da frequência miccional
  • Sensação de peso, pressão ou instabilidade pélvica
  • Dor pélvica, lombar, abdominal ou durante atividade sexual
  • Alterações após eventos como parto, cirurgias, períodos de maior carga física ou transições hormonais
  • Dificuldade em retomar exercício físico sem desconforto
  • Mudanças na função intestinal ou sensação de esvaziamento incompleto
  • Qualquer alteração que faça a pessoa sentir que “o corpo já não responde como antes”

2. Quando pode justificar uma avaliação médica mais célere

Alguns sinais merecem observação médica para exclusão de patologia e definição da abordagem mais segura:

  • Sangue na urina
  • Infeções urinárias recorrentes ou episódios acompanhados de febre
  • Dificuldade marcada em iniciar ou completar o esvaziamento da bexiga
  • Dor pélvica intensa, súbita ou progressivamente agravada
  • Alterações neurológicas (força, sensibilidade, controlo de esfíncteres)
  • Incontinência fecal persistente
  • Alterações relevantes após cirurgia pélvica
  • Perda de peso inexplicável associada a sintomas pélvicos

Se se identifica com algum destes sintomas, dê o primeiro passo. Na Bwizer Health, a avaliação é o início da mudança.

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Referências

Mittal RK, Bhargava V. Anatomy and physiology of the pelvic floor. Gastroenterology clinics of North America. 2008;37(3):585-96.

Mazur-Bialy AI, et al. Pelvic Floor Muscle Training as a Method for Prevention and Treatment of Urinary Incontinence - A Systematic Review. Journal of Personalized Medicine. 2023; 13(12):1625.

Rosenbaum TY. Pelvic floor involvement in male and female sexual dysfunction and the role of pelvic floor rehabilitation in treatment. Clinics in geriatric medicine. 2007;23(3):643-58.

de Lira GHS, et al. Effects of pelvic floor muscle training with or without biofeedback and electrical stimulation in the treatment of urinary incontinence: a randomized controlled trial. Clinics. 2019;74:e920.

Cohen D, et al. The Role of Pelvic Floor Muscles in Female Sexual Function and Dysfunction. Sexual Medicine Reviews. 2016;4(1):75-85.